ENEL NA UFSC

A chapa 2 reitera a importância que damos à construção do 33º Encontro Nacional dos Estudantes de Letras na Universidade Federal de Santa Catarina.

“Ipa, ipa, ipa o ENEL é em Floripa!” Essa foi a frase mais ouvida pelos 1.083 alunos de letras que participaram do 32º Encontro Nacional dos Estudantes de Letras – ENEL. Alunos de todas as regiões se uniram a delegação da UFSC para declarar apoio em trazermos o ENEL para a nossa universidade. A nossa delegação foi contagiada com este sonho. Entretanto, sonhamos com o ENEL por que? O ENEL é o maior encontro organizado pela Executiva Nacional dos Estudantes de Letras - ExNEL, mas assim como o nosso centro acadêmico, a ExNEL e o ENEL não tem feito muito sentido na vida do estudante de letras, resumindo-se muitas vezes em festas e turismo. Temos obviamente um grande problema então. Pois as entidades que deviriam ser a voz do estudante não estão cumprindo o seu papel, temos sentido uma grande desmobilização em todo o país e é claro na UFSC também, como o CALL que poucos conhecem de fato, sem contar o nosso DCE! O que Movimento Estudantil pode fazer então? Abrir mão das entidades? Desistir? Esta é outra resposta óbvia: Não. Temos que lutar para que todos os espaços conquistados pelo Movimento Estudantil sejam sempre fortalecidos. Por isso montamos uma chapa, para resgatar o Movimento Estudantil crítico e que ande junto à base. Faremos uma gestão tendo avaliação de curso, propondo reforma curricular, debatendo o ENADE, entre outras importantíssimas pautas e também construiremos o ENEL! Um exemplo claro que dá para fazer uma boa gestão do CALL e tocar as pautas da ExNEL é a discussão do ENADE, a ExNEL juntamente com executivas de outros cursos irá promover um debate dia 27 deste mês no auditório Henrique Fontes do CCE. Se caminharmos junto com a nossa executiva podemos unir forças e fazer um espaço muito mais rico para nós, alunos de Letras da UFSC. Assim se dará com a avaliação de curso, CAs de várias universidades brasileiras já fizeram. Através da nossa executiva podemos trocar experiências a partir das que já foram feitas, unindo-se com os anseios específicos do nosso curso na UFSC. Caminhar com a ExNEL significa, para nós, unir forças com o Movimento Estudantil de todo o país, ajudar a ExNEL fazer sentido para nós e, construir um CALL de forma plural e horizontal para que ele faça parte da vida acadêmica de todos os alunos dos sete cursos de letras que ele representa. Outro bom exemplo é II Encontro Catarinense dos Estudantes de Letras – EcaEL, membros da nossa chapa e também da chapa 1 estiveram em Criciúma participando, apresentando trabalhos e, ao menos a nossa chapa pode perceber que podemos ter encontro de estudantes de qualidade. Sabemos que os encontros nacionais tem um número muito maior de inscrições, em torno de mil a mil e quinhentos, mas acreditamos que os 1.500 alunos de Letras da UFSC são capazes de construí-lo, o ENEL irá nos mobilizar em uma grande unidade assim teremos um CALL mais aberto e com muito mais forças para um unidade um teremos um CALL mais aberto e com muito mais forças para tocar as demandas específicas dos nossos cursos aqui na UFSC! Não é por acaso que o nome da nossa chapa é “A manhã desejada”, queremos uma nova manhã, que nasça com a participação de todos os cursos e alunos de Letras da UFSC. Acreditamos e queremos te encorajar a acreditar que conseguiremos construir um novo CALL e também um novo ENEL, e que ele volte a fazer parte da nossa formação, pois no ENEL podemos construir grandes debates acadêmicos, unidade em diversas bandeiras de luta do Movimento Estudantil de Letras, além da integração de alunos de todas as regiões do país proporcionando um grande momento onde podemos conhecer as várias manifestações culturais brasileiras.




Lutam melhor os que têm belos sonhos.”

Por que fazemos encontros?


Em 1979, ocorreu em Salvador o primeiro ENEL; passaram-se dez anos e depois vinte anos; o encontro rodou o país e passou por diversas universidades e regiões brasileiras.  Organizamos encontros regionais e estaduais e hoje, passado um histórico mais de 30 anos de encontros, é preciso se perguntar: Afinal de contas... por que ainda organizamos encontros?
Para se entender quais os principais objetivos de um encontro estudantil para o MEL, é preciso antes compreender o modelo de educação superior nacional, fazendo um breve resgate histórico até a atual conjuntura.
As primeiras instituições de ensino superior (IES) do Brasil atendiam exclusivamente as demandas das elites colonialistas, ofertando formação de médicos e legisladores para garantir a sobrevivência e manutenção da estrutura econômica no país. Atendendo a necessidade das elites brasileiras, inicia-se a abertura de formação de novas profissões.
O ensino público básico, por ser restrito para filhos das elites brasileiras, tinha até então qualidade, mas, com o processo de modernização conservadora e com a necessidade de atender as novas exigências do mercado, torna-se preciso democratizar o ensino público e, ao mesmo tempo, reduzir sua qualidade. Desse modo, os filhos dos trabalhadores começavam a receber educação pública básica sem qualidade, enquanto os filhos da elite brasileira recebiam educação pública superior de qualidade, mantendo assim uma estrutura social desigual.
Não muito diferente desse breve relato histórico da educação no Brasil, observamos como o mesmo método é mantido, com imposição de um disfarçado sistema neoliberal na educação. Nesse processo de Reforma Universitária, surge o REUNI, PROUNI, UNIVERSIDADE NOVA, ENADE/SINAES e a universidade deixa, definitivamente, de ser o espaço para produção e disseminação do conhecimento para se tornar o espaço da produção de mercado de trabalho e reserva de mercado.
Diversas imposições, em questões curriculares, surgiram nesse processo, inclusive de origens e com objetivos distintos, tais como: as DCN’s (Diretrizes Curriculares Nacionais), os PCN’s (Parâmetros Curriculares Nacionais), o ENADE (Exame Nacional de Desempenho dos Estudantes). A reforma curricular para os cursos superiores, principalmente os de Letras, evidencia a necessidade de se mudar, em muitos aspectos, o sistema educacional brasileiro, adequando as novas demandas mercadológicas. Não se deve apenas ensinar gramática ou redação, é preciso trabalhar com gêneros textuais, formando construtores e interpretadores de textos que tenham capacidade de se comunicar minimamente. O filho do trabalhador não deve aprender somente a assinar seu nome (como foi no tempo do MOBRAL), mas aprender minimamente a usar textos comunicativos, para que assim possa desempenhar sua função de trabalhador na sociedade. Essa mudança não acontece por uma luta da classe trabalhadora em busca de educação de qualidade, mas pela necessidade da nação em adequar a classe trabalhadora a um sistema de modernização neoliberal no país. Nesse processo, observa-se que a formação do professor atende cada vez mais as necessidades do mercado e este profissional, recém formado, não se identifica enquanto classe trabalhadora, tentando mudar ou formar estudantes que mudem essa atual estrutura social opressora.
Independente de uma conjuntura em que o ensino superior não atende a classe trabalhadora, atendendo as demandas do capitalismo, o MEL deve usar de seus espaços para mostrar ao estudante de Letras que ele faz parte da classe trabalhadora, que pode militar, ativamente e com compromisso, para mudar a situação social e não devem ser conformados com as diversas formas de opressões sociais que existem em nosso país.
Todo o espaço de atuação do MEL (encontros, atividades de recepção aos calouros, semanas de letras, seminários e outros espaços) é instrumento uma formação que atenda as necessidades de classe trabalhadora. Não haverá possibilidade de mudança social e emancipação humana se não houver pela luta de classes.
A educação superior não deve atender as demandas de um modelo de sociedade neoliberal e nem deve ter seu currículo determinado pelo Banco mundial. A educação pública superior
deve propiciar o conhecimento científico e atender as demandas do povo brasileiro, possibilitando com que a sociedade tenha possibilidade de usar um espaço público e que a universidade atenda, entenda e aprenda com as demandas da classe trabalhadora, desenvolvendo assim uma sociedade mais justa e menos desigual.
São trinta anos organizando encontros. Muitas vezes não cumprimos com o objetivo básico do encontro. É preciso formar essa consciência formadora para todos os encontros (estaduais, regionais e nacionais) e para todos os participantes. Além disso, a ExNEL não pode ser vista como uma entidade que só organiza encontros – precisamos de um novo rótulo: a entidade que faz lutas nacionais pelo modelo de educação de qualidade, pública, gratuita, popular e socialmente referenciada. 30 anos de história e muitos anos futuros de luta.
 
Texto da Executiva Nacional dos Estudantes de Letras - ExNEL